Reconheço o sofá envelhecido, reconheço a estante empoeirada, sei que o tapete é o mesmo de sempre. Sei que os olhos cansados, as olheiras profundas e a face refletida na janela são meus, mas não os reconheço. Sei que esses braços caidos, recostado na mesa, são os meus. Hoje, estou letárgico, inerte em pensamentos, pensamentos sobre ti. Não te vejo mais da mesma maneira, já não me importo mais ou, talvez, importo-me ainda mais que antes. Os momentos, que para mim foram inesquecíveis, tornaram-se apenas motivos de mais mágoa. Estou frustrado em minhas tentativas, cansado de mecher na ferida enquanto ela cicatriza. Exausto por viver essa dor todos os dias. Exausto de ti.

Talvez, eu esteja vivendo os reflexos de um primeiro amor não correspondido. Mas, hoje, estou no limite da paciência, do desapego, do desinteresse. Hoje, decidi superar cada momento vivido e te arquivar no passado. Te esquecer de vez, pois a cota de tentativas esgotou-se em meio à indiferença. Talvez o amor seja isso mesmo, sempre associado ao sofrimento, e, talvez, um dia eu me acostume a essa realidade tão cruel. Não sei por quanto tempo continuarei vivendo sob tua sombra, torcendo por tua felicidade, por teu sucesso. Não sei por quanto tempo imaginarei tu, desejando outro, amando outro, esquecendo a mim. Mas, hoje, preciso te superar, mesmo precisando de cada sorriso, cada abraço e cada carinho inefável teu. Mesmo que cada parte de mim esteja pronfuda e irremediavelmente carente do teu beijo de moça-menina.