Senti aquela brisa no rosto e praguejei o aquecimento global por me privar de significante sensação. Em um átimo, mil pensamentos imploraram para tomar formas de palavras. E aí vão elas.

Sempre tive meio aí pra tudo: meio ocupado, meio carente, meio sozinho, meio alegre, meio insatisfeito. Sempre fui regido pelos "meio" graças a esse meu autoflagelo. Por alguns instantes via sempre a vida passando por meus olhos, e de forma quase que monótona exigia perceber cada detalhe. Frustrado em minhas tentativas, resolvi dar sentido a tudo buscando um sonho. Esvai-me de quase tudo e meio que consegui dar certo gás na minha vidinha-quase-perfeita - ou pelo menos a que eu julgava ser minha. Foram dois anos de luta. Com consequentes fracassos e decepções. Cheguei a um ponto que resolvi largar tudo. E parei. Estagnei a minha vida meio cool. Rompi com meu sonho vão. E me rendi em mais autoflagelo. Queria correr atrás de outras coisas, de praticar meus hobbies, de procurar um amor. Segui na busca e esmoreci no caminho. Era a vida que eu queria e era essa certeza que eu havia me apegado. E isso expôs minhas fraquezas muito mais do que eu estava disposto a suportar. E eis a descoberta: não tenho um novo caminho ao meu alcance. Eu só podia dar o que eu tinha. E parecia que não havia sobrado nada. Nem mesmo aqueles que estavam lá quando eu precisava de apoio se manifestaram. E agora não me resta muitas alternativas.

Tenho essa última esperança de que aqueles sonhos que abandonei, aceitem ser meus novamente. Sinto falta da minha vida regida pelos “meio-qualquer-coisa” . Tudo o que mais anseio é que minha meia vida seja minha de novo. E não abrirei mão do que sempre acreditei por medo de tentar. Não mais. Dessa vez não temerei o fracasso. Porque por mais que ele me alcance a única coisa que restará, será a minha coragem para seguir em frente.