Ele era comum. Temia até seus próprios medos. Formava suas opiniões a partir do que achava mais propicio em favor do seu bem-estar. Amou, foi amado e depois se esvaiu de qualquer tipo de sentimento. Queria viver intensamente, mas acabou apagado pelo tempo. Esqueceu-se de que o ato de apenas sentir o fazia sentir vivo. Procurava sentido e, na maioria das vezes frustrado em sua busca, chorava. Fazia então das lágrimas que, aos montes rolavam em seu rosto, seu abrigo. Desacreditou das possibilidades de mudanças, embora quisesse vivê-las. Tornou-se algoz de seu próprio sofrimento. Até que enquanto sobrevivia, foi confrontado e viu-se posto em frente aquele sorriso. Não era simplesmente um sorriso. A beleza ali existente simplesmente fazia do supérfluo o detalhe mais importante. Aquele simples gesto tirou-lhe o fôlego. Trouxe o brilho que outrora havia perdido. Então se viu em frente aquele caminho (sem volta) e correu em direção aquela esperança perdida. Descobriu em uma palavra a rima de que precisava para sentir-se vivo: amor. Amor este que se tornou impossível ou de fato inevitável. E cada letra de uma nova canção não era mais mera melodia. Era simplesmente o sentido que o tirava da normalidade. Emaranhou-se em seus sentimentos e se sentiu seguro. Seguiu aquele caminho árduo, mas com a certeza de que para viver bastava apenas sentir. E sentiu. E viveu.